quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Flavinha e Paloma

Flavinha é o protótipo da mulher realizada. Tem um marido exemplar, tipo metade da laranja. O único senão foi receber a noticia de que seu marido exemplar vai passar uma longa temporada fora, a negócios. Explica-se, é a primeira vez que o casal não vai viajar junto. Os filhos estão em idade escolar. Ela nunca fumou, não toma calmantes, nem sabe o que é isso. Ela é do tipo ame e cure sua vida. Família certinha. Como estava triste, ligou para sua irmã Paloma para saírem juntas. Convite feito, convite aceito. As duas almoçaram juntas, foram ao shopping fazer umas comprinhas e no final da tarde sua irmã lembrou de dar uma esticada em casa de uma amiga. Flavinha concordou. A casa da amiga era uma casa muito mal conservada e desarrumada. A dona da casa estava com olhos vermelhos e não dizia coisa com coisa. Lá pelas tantas chegou o filho da dona da casa e resolveu mostrar para as visitantes os produtos para emagrecer que ele vendia. Ele puxou uma porta para fazer as vezes de um quadro e com o pincel atômico fazia desenhos do interior do corpo humano e dava explicações científicas. Ele acabara de fazer o curso de vendas na empresa que representava e usou Flavinha e sua irmã como cobaia. E como as duas visitantes não compraram nada, ele ofereceu um cigarro e Paloma, para surpresa de Flavinha, praticamente atirou-se para apanhar o tal cigarrinho de cheiro esquisito. A dona da casa entrou em um quarto e trouxe uma quantidade de cachecol de lã para vender. Como estavam no inicio da primavera elas não compraram os cachecóis. Pois a dona da casa não desistiu e tentou vender uma caixa de doces mineiros, cada caixa com 60 doces caseiros. Flavinha explicou que estava fazendo dieta. O filho da dona da casa resolveu fazer demonstração dos produtos mineiros. Flavinha, já desesperada, comprou um vidro de doce de leite com ameixas. O cheiro do cigarro estava lhe dando dor de cabeça. Flavinha foi para a varanda e o dono da casa ofereceu um cigarrinho novamente e novamente ela explicou que não fumava. Se despediram e saíram. Chegando em sua casa Flavinha colocou o tal doce na prateleira da cozinha e foi cuidar do jantar com a empregada que queria servir o tal doce de sobremesa, mas acabou servido o doce predileto do marido de Flavinha. Tocou o telefone no dia seguinte cedo, era Paloma que desesperada pediu para Flavinha não abri o doce porque aquele lote não era para vender, foi engano e o lote estava estragado. Não deu meia hora e Paloma apareceu levar o doce. Trouxe consigo uma pinça grande e uma espátula. Abriu o vidro, com a espátula afastou o doce e com a ajuda de uma pinça alcançou um invólucro que retirou delicadamente de dentro do vidro de doce, lavou o tal secando com cuidado, depois examinou contra luz. Flavinha vendo toda aquela operação sem entender nada falou para Paloma: você me disse que ficaria para o almoço, pois vou mandar preparar o teu prato predileto. Paloma agradeceu e disse que estava apressada e viu um pote de bicarbonato entre os temperos na prateleira da cozinha e colocou junto com o tal invólucro e saiu sem se despedir. Dias depois Flavinha leu nos jornais que a policia estava a procura de um grupo de senhoras que estavam traficando drogas dentro de vidros de doces caseiros. Flavinha lembrou do tal invólucro dentro do vidro de doce e também de ter visto o vidro com doce na lata de lixo. Paloma levou apenas o que lhe interessava. Flavinha até hoje treme nas bases só de pensar que poderia ter sido envolvida e em como ficaria sua família tão certinha, tudo tão perfeito. Flavinha ligou para Paloma, a empregada disse que dona Paloma estava fora do país por um longo tempo.

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